Cuidado com a gonorréia, há uma cepa intratável

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Médicos britânicos advertiram uma nova cepa resistente aos antibióticos no norte da Inglaterra. Em QUO, nós conversamos com um especialista para conhecer mais de perto os riscos e como se proteger de estas doenças sexualmente transmissíveis.

Médicos britânicos advertiram uma nova cepa resistente aos antibióticos no norte da Inglaterra. Em QUO, nós conversamos com um especialista para conhecer mais de perto os riscos e como se proteger de estas doenças sexualmente transmissíveis.

Todos nós sabemos muito bem da teoria: nada de sexo sem preservativo. Mas, conforme mostram as estatísticas, esse é um conselho que muitas vezes cai em saco roto, e cujas consequências podem ser uma das mais temidas doenças de transmissão sexual. No ano de 2009, houve 340 casos de sífilis na Comunidade de Madrid. Um número que duplicou em 2010 e que chegou até 3.120 em Portugal, em 2013.
Esta semana, os médicos do serviço de saúde britânico têm alertado o surgimento de uma nova cepa de gonorréia que é “incurável”, já que é resistente a antibióticos que existem no mercado para tratar este tipo de infecções. O surto de “super gonorréia” começou em Leeds e tem-se expandido por todo o Norte de Inglaterra.
Habitualmente, a gonorréia é geralmente lidar com dois tipos de medicamentos: streptococcus e azitromicina. O problema é que a nova cepa é resistente a esses antbióticos, daí que seja um motivo de alarme, já que a dia de hoje é incurável.
Em QUO quisemos falar com o Dr. Fernando Vázquez Valdés, membro da Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SEIMC), para que nos explique mais em profundidade os riscos desta e de outras doenças de transmissão sexual.
Pergunta: Por que esta cepa de gonorréia é ‘incurável’?
Resposta: O gonococo agora é uma superbactéria resistente a múltiplos antibióticos e, especificamente, a penicilina, fluoroquinolonas, azitromicina, tetraciclinas e, atualmente, se tornou resistente às cefalosporinas que são utilizados para o seu tratamento. Além disso, outros como a espectinomicina não existem no mercado. É um problema cada vez mais crescente.
P.: Existe uma outra forma de tratá-la que não seja através de azitromicina?
R.: propõe-Se que se dê tratamento combinado, como, por exemplo, é feito para a tuberculose, desta forma se dá a streptococcus e azitromicina mas estas estirpes são agora resistentes que se começa a pensar em dar outras combinações. Por exemplo, uma combinação de streptococcus associada a um aminoglucósido como a gentamicina. O problema é que são por via intramuscular e é mais difícil o seu tratamento.
P.: Qual seria a melhor prevenção para evitar o contágio seguirem aumentando?
R.: O mais barato é o preservativo, deixou de ser usado, apesar de que a gente está ciente que impede esta transmissão.
P.: aumentaram as doenças de transmissão sexual, nestes últimos anos? o que acha que deve ser?
R.: aumentaram, por exemplo, a sífilis ou a própria gonococia na Europa e Espanha e se deve a que os homens que têm relações sexuais com homens não tomam precauções de prevenção. Além disso, em adolescentes, as relações sexuais são cada vez mais precoces e não têm informação suficiente sobre o assunto, assim também eles dão ITS como as clamidias.
P.: É verdade que também está crescendo o número de casos de doenças que há muito tempo que não se davam? (como o linfogranuloma venéreo)
R.: Sim, o linfogranuloma voltou a aparecer na Europa e em grandes cidades como Barcelona ou Madrid também sobre todos os homens que têm relações sexuais com homens. Mas, como eu disse anteriormente, a sífilis ou a gonococia aumentaram.
P.: Estamos ao dia na prevenção de doenças de transmissão sexual ou é necessário sensibilizar ainda mais a sociedade?
R.: Há informação, mas não chega a conscientizar pessoas com comportamentos de risco, como os homens que têm relações sexuais com homens ou os adolescentes. O Ministério da Saúde faz campanhas de prevenção e lançou um plano estratégico para essas doenças.
P.: Que conselhos daria para evitar este tipo de contágio?
R.:
As pessoas com vários parceiros sexuais lançar o aviso do risco que correm.
Informações para os adolescentes destas doenças.
Promover o uso do preservativo.
Reforçar as Unidades de ITS como sites a consultar periodicamente, em caso de vários casais ou de aparecimento de sintomas clínicos.
Dispor de métodos diagnósticos adequados para cortar a cadeia epidemiológica.
Conscientizar a população da importância e aumento das mesmas.

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