Como pode Alice no País das Maravilhas ajudar a detectar episódios psicóticos?

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Pesquisadores do Colégio Europeu de Neuropsicofarmalogía encontraram a chave em uma região do cérebro conhecida como precúneo

Pesquisadores do Colégio Europeu de Neuropsicofarmalogía encontraram a chave em uma região do cérebro conhecida como precúneo

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Tem-Se escrito muito sobre a psicologia alojada no famoso livro Alice no País das Maravilhas. Mas agora a ciência passou a um novo nível, nomeadamente na interpretação da obra que Tim Burton faz no seu filme. Pesquisadores finlandeses do Colégio Europeu de Neuropsicofarmalogía descobriram que o filme poderia ser de grande ajuda para detectar os primeiros episódios psicóticos.
A pesquisa foi apresentada em Amsterdã, há poucos dias, por ocasião da Conferência 28º do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacología. Na mesma explicaram que, graças à técnica de imagem por ressonância magnética funcional (fMRI) e o filme de Tim Burton, conseguiram dar com a forma de detectar com a psicose precoce. Para conseguir a façanha, monitoraram a atividade cerebral de um grupo de 46 sujeitos que tinham sofrido alguma vez um episódio psicótico, e a compararam com a de 32 sujeitos saudáveis enquanto viam Alice no País das Maravilhas.
De acordo com Eva Rikandi, principal autora do estudo, foi quando os pesquisadores encontraram, “que, por meio do controle da atividade de uma região cerebral, o precúneo, se poderia distinguir facilmente os pacientes de sujeitos de controle”. Isso significaria que o precúneo desempenha um papel fundamental para a autointegración e a memória episódica. De acordo com Rikandi, “conseguimos atingir quase 80% de precisão na classificação utilizando esta técnica. Além disso, é a primeira pesquisa que associa diretamente a psicose precoce com esta área do cérebro. Agora, o objetivo é ampliar e conhecer mais sobre esses resultados”.
Para saber o que significa exatamente esta descoberta, em QUO nos colocamos em contato com o psicólogo clínico Carlos Ramos gomes da silva.
Pergunta: o Que é exatamente um episódio psicótico?
Resposta: Na psicose, o paciente manifesta-se desconectado da realidade. Podem apresentar sintomas muito variados, mas basicamente se alteram e distorcem de forma muito significativa as relações sociais, aparecem alucinações especialmente auditivas e visuais, apresenta-se o pensamento delirante, distúrbios da psicomotricidade, etc., O problema vem quando -como no caso dos artigos que me referir, fala-se de psicose precoce. na minha opinião, trata-se de um quadro bastante difuso, podendo ser difícil de detectar e propor graves problemas de diagnóstico diferencial… Por exemplo, é comum que os distúrbios psicóticos de início precoce passem despercebidos em sua fase inicial, ou, uma vez instalados se confundiria com o transtorno do déficit de atenção (TDAH).
Também temos outros quadros, como o transtorno psicótico polimórfico agudo, ou seja, síndrome de psicose esmaecida que aparece no DSM-5… Na minha opinião, são categorias muito pouco definidas, e embora possam ter a sua utilidade, levantam graves problemas de diagnóstico diferencial.
P.: Por que as pessoas que sofrem com esses episódios recebem a informação de forma diferente dos outros?
R.: Tem um funcionamento cerebral anormal, e ainda estão ocorrendo avanços em sua compreensão, ainda há muito caminho por percorrer, (digam o que disserem). Especificamente, tendem a confundir a realidade interior, muito distorcida, com a realidade exterior. O mundo da fantasia e da atividade onírica com a realidade.
P.: Por que foi tão útil filme de Tim Burton ” Alice no País das Maravilhas para realizar este experimento?
R.: Não, eu sei que o filme de Tim Burton, com exceção de um trailer no YouTube, assim que praticamente não posso dizer nada a este respeito. Sim, eu posso dizer que a obra de “Alice no país das maravilhas” tem um discurso espontâneo e engenhosamente esquizofrênico… Vejo lógico que se tenha escolhido este filme, porque provavelmente suscita, como na obra original, o deslizamento do mundo da fantasia sobre a realidade. Mas tenho certeza de que haverá outras muchoas filmes que poderiam ter servido igualmente. A mim se me ocorrem várias outras. É dizer, não acho que o filme de Tim Burton tenha uma qualidade especial e única, em absoluto. Por outro lado, os artigos que me referir, não se explica, nem de longe, como aconteceu exatamente desta pesquisa: O fMRI cria uma situação muito difícil para muitas pessoas (com exigências bem definidas) e, desde então, muito artificial. E se o sujeito é um supor – uma criança possivelmente psicótico, já nem te conto… Sou muito cético neste sentido: eu me pergunto se não haverá interesses publicitários e económicos subterrâneos.
P.: Pode ajudar a detectar a psicose precoce? Por que é tão difícil de encontrar?
R.: Um filme não vai ajudar, especificamente, ao detectar uma psicose precoce. Esta é tão difícil de detectar precisamente por causa da imaturidade do cérebro infantil, está em pleno processo de desenvolvimento. Isso faz com que, com muita frequência, os sintomas que você possa apresentar sejam muito pouco definidos, proteicos, e como já descrevi antes, pode passar despercebida, ou fazer com que seja muito difícil o trabalho do diagnóstico diferencial.
P.: Até agora, eu tinha outras fórmulas para detectar a psicose precoce?
R.: Eu acho que não. Desde então, a fMRI pode ser de utilidade, sob certas condições, para continuar pesquisando. Na prática, porém, o principal é a exploração clínica, com uma cuidadosa observação, e com a aplicação de uma bateria de testes neuropsicológicos e de personalidade, com uma detalhada anamnese e uma especial consideração do sistema familiar e às circunstâncias escolares e/ou profissionais do sujeito. A dia de hoje, não há outra fórmula, na minha opinião.
Acesso à investigação (em inglês): sciencedaily.com

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